<T->
           Coleo De Olho no Futuro
           Histria -- 3 Srie
           Ensino Fundamental

           Thatiane Pinela
           Liz Andria Giaretta

<F->
Impresso Braille em 2 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo -- 2005 
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<p>
          Copyright desta edio
          Quinteto Editorial
          Ltda., 2005

          Coordenao Editorial:
          Angelo Bellusci Cavalcante
            
          Editorao eletrnica:
          Luiz Roberto Lucio Correa

          ISBN: 85-305-0408-9

          Todos os direitos de edio 
          reservados  Quinteto Editorial LTDA.
          Rua Rui Barbosa, 156 -- sala 1 (Bela Vista) 
          So Paulo -- SP 
          CEP 01326-010
          Tel.: (0xx11) 3253-5011
          Fax: (0xx11) 3284-8500 
          r. 243
<p>
                               I
<F->
Segunda Parte
 
Captulo 4

As capitais brasileiras :::: 93
Garantindo a posse 
  do territrio ::::::::::::: 96
A transferncia da
  capital brasileira :::::::: 105
A corte portuguesa 
  no Rio de Janeiro ::::::: 106
As reformas urbanas 
  no Rio de Janeiro ::::::: 113
A atual capital 
  do Brasil :::::::::::::::: 119

Captulo 5

Vivendo nas cidades :::::::: 130
A vida nas primeiras vilas 
  e cidades brasileiras ::::: 131
A vida nas vilas e 
  cidades mineiras do 
  sculo XVIII :::::::::::: 135
<P>
O dia-a-dia no Rio de 
  Janeiro no 
  sculo XIX :::::::::::::: 140
Mudanas nas cidades 
  brasileiras no 
  sculo XX ::::::::::::::: 144
 
Glossrio :::::::::::::::::: 152
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

<70>
<Thist. olho fut. 3>
<T+93>
Captulo 4

As capitais brasileiras

  No captulo anterior, voc viu que Braslia  a atual capital do nosso pas, isto , ela  a sede do governo brasileiro.
  Na capital brasileira trabalham pessoas que so responsveis pela administrao do Brasil, como o presidente da Repblica, ministros, senadores, deputados federais, juzes federais, entre outros.
  No Congresso Nacional trabalham os deputados federais e os senadores, que so responsveis pela elaborao e aprovao das leis que regem o nosso pas. Eles representam o Poder Legislativo.
  O Congresso Nacional  a sede do Poder Legislativo.
  O Palcio do Planalto  o lugar ocupado pelo presidente da Repblica, que exerce o Poder Executivo. Auxiliado pelos ministros e pelos secretrios, o presidente da Repblica  responsvel por administrar o pas e fazer com que as leis sejam cumpridas.
  O Palcio do Planalto  a sede do Poder Executivo.
<71>  
  No Supremo Tribunal Federal encontram-se os juzes federais, que fazem parte do Poder Judicirio. A funo dos juzes  fazer com que as leis sejam devidamente cumpridas, de acordo com a *Constituio Federal*.
  O Supremo Tribunal Federal,  a sede do Poder Judicirio. 
  O Congresso Nacional, o Palcio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal esto localizados na Praa dos Trs Poderes, que  um dos lugares mais conhecidos da cidade de Braslia.
<P> 
Atividades 

<R+>
1. Relacione cada uma das informaes abaixo a um dos trs poderes, escrevendo o nmero e a letra correspondentes.
 a) Poder Legislativo    
 b) Poder Executivo    
 c) Poder Judicirio
 1) Representado pelo presidente da Repblica e pelos ministros.
 2) Responsvel por fazer com que as leis sejam devidamente cumpridas.
 3) Representado pelos deputados federais e pelos senadores.
 4) Responsvel por administrar o pas.
 5) Responsvel pela criao ou aprovao das leis que regem nosso pas.
 6) Representado pelos juzes 
  federais.
<R->
<P>
De olho na biblioteca

  Ao ler este livro voc vai entender um pouco mais sobre o que  poltica. Voc ver que ela faz parte do nosso dia-a-dia e que a praticamos nas mais diversas ocasies. Alm disso, vai perceber que  por meio da poltica que podemos transformar o nosso pas e at mesmo o mundo.

<R+>
*Poltica*: que bicho  esse?, de Adriana Ramos e outros. So Paulo, FTD, 1999.
<R->
  
<72>
<R+>
Garantindo a posse do territrio
<R->

  Braslia no foi a nica capital do Brasil. Antes dela, o nosso pas teve outras duas capitais: Salvador e Rio de Janeiro. Neste captulo, voc vai conhecer um pouco da histria das capitais brasileiras.
  Aps a chegada ao nosso territrio, em 1500, os portugueses tomaram posse das terras, desconsiderando a presena dos indgenas.
  Durante cerca de 30 anos, a principal atividade realizada pelos portugueses foi a extrao do pau-brasil. Alm dos portugueses, outros povos, como espanhis e principalmente franceses, vinham para c com o objetivo de encontrar e explorar as riquezas naturais.
  Devido a essas invases e para garantir a posse do territrio, o governo portugus decidiu, ento, colonizar estas terras. Para isso, adotou um sistema chamado de capitanias hereditrias.
  Nesse sistema, o territrio foi dividido em 15 lotes de terras, que foram doados a doze pessoas importantes de Portugal, como nobres e comerciantes.
  As pessoas que recebiam esses lotes eram chamadas de capites donatrios e tinham como dever administrar, povoar e explorar as 
<P>
terras, utilizando para isso os seus prprios recursos.

Capitanias hereditrias

<F->
Par
Maranho
Piau
Rio Grande
Itamarac
Pernambuco
Bahia de Todos os Santos
Ilhus
Porto Seguro
Esprito Santo
So Tom
Rio de Janeiro
Santo Amaro
So Vicente
Santana
<F+>

<R+>
 Fonte de pesquisa: Srgio Buarque de Holanda (org). *Histria Geral da 
Civilizao Brasileira*. So Paulo, Difel, 1981.
<R->
<p>
<R+>
 Escreva o nome das capitanias que deram origem a nomes de atuais estados brasileiros.
<R->

<73>
  A maioria das capitanias hereditrias no se desenvolveu como o governo portugus esperava. Foram vrios os motivos que contriburam para o fracasso das capitanias, como os ataques de indgenas e o desinteresse de alguns donatrios, que nem chegaram a tomar posse da terra que receberam. As capitanias que prosperaram foram So Vicente e Pernambuco.
  Diante dessa situao, o rei de Portugal decidiu estabelecer aqui um governo-geral, que tinha como principais objetivos representar o governo portugus em nosso territrio, dar continuidade ao processo de colonizao e garantir a posse das terras.
  Para isso, em 1549, o rei nomeou e enviou ao Brasil o primeiro governador-geral, Tom de Souza, que chegou  Bahia de Todos os Santos, no atual estado da Bahia, acompanhado de cerca de 1.000 pessoas.

<R+>
_`[Um quadro (imagem) mostrando um grupo de pessoas. Entre elas, um homem com botas, chapu e capa, e um padre segurando uma cruz_`]
 Legenda: Gravura feita pelo artista francs *Alphonse de Beauchamps*, representando o desembarque de Tom de Souza na Bahia de Todos os Santos, em 29 de maro de 1549. Juntamente com Tom de Souza vieram soldados, padres, carpinteiros, pedreiros, um mdico, um farmacutico e alguns *degredados*.
<R->

<R+>
 a) Identifique na descrio da imagem a pessoa que representa o governador-geral Tom de 
  Souza.
<P>
 b) Quais foram as pistas que voc observou para identific-lo. Escreva-as.
<R->

<74> 
  Logo aps a sua chegada, Tom de Souza iniciou a construo da cidade de Salvador, que se tornou, ento, a sede do governo portugus na *Colnia* e a primeira capital do nosso territrio. 
  Leia o texto a seguir e conhea algumas das principais caractersticas da construo da cidade de Salvador.

  [...] Tom de Souza viu que, como medida de segurana e para cumprir as determinaes do rei, seria necessrio constru-la no alto de um morro, dificultando o acesso dos inimigos estrangeiros e dos indgenas hostis. Assim, decidiu que as casas de moradias, as casas do governo, da Cmara e o Colgio dos padres jesutas ficariam na parte alta [...], enquanto os armazns e as casas dos demais sditos ficariam na parte baixa, atualmente chamada Comrcio, prximas ao mar. As construes iniciais eram muito simples, mas as nicas possveis naquele momento. Todas foram feitas de taipa ou *pau-a-pique* [...] e cobertas de palha.
  Ao redor da cidade foram construdos muros altos, feitos com o mesmo material, e vrias *fortalezas*. Alm disso, foram abertas enormes valas (covas) em torno dos muros [...].

  A ameaa de invases estrangeiras  cidade de Salvador, levou os portugueses a construrem vrias fortalezas. Uma delas  o forte de So Marcelo, que foi construdo alguns anos aps a fundao de Salvador.
<P>
<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) Quais foram as medidas de segurana tomadas por Tom de Souza para que a cidade de Salvador fosse protegida de ataques?
 b) Quais eram os materiais utilizados nas primeiras construes da cidade de Salvador?
 c) Na sua opinio, por que os indgenas atacavam os portugueses? Comente com os colegas.
<R->

<75> 
Algo a mais

  Os colonizadores portugueses que trabalharam na construo da cidade de Salvador tiveram a preocupao de fazer com que ela ficasse parecida com Lisboa, capital de Portugal.
  Alguns materiais utilizados nas construes foram trazidos diretamente de Portugal e isso contribuiu para reforar a semelhana entre a capital portuguesa e 
 Salvador.
  Muitas construes erguidas naquela poca foram preservadas e podem ser observadas at os dias de hoje. Veja alguns exemplos a seguir.
  Muitas moradias de Salvador foram construdas seguindo o modelo das casas portuguesas, com fachadas estreitas, rentes  calada, janelas com trelias e jardim nos fundos.
  Algumas construes, como prdios, igrejas e casas, eram revestidas de azulejos pintados  mo, trazidos de Portugal.
  Um painel de azulejos portugueses, se encontra no Convento So Francisco, construdo em Salvador, no ano de 1587.

<R+>
 Na sua opinio, qual  a importncia de se preservar construes e objetos antigos? Converse com os colegas.
<R->

<76>
<P>
<R+>
A transferncia da capital 
  brasileira
<R->

  Salvador permaneceu como capital do Brasil at 1763, quando a capital foi transferida para o Rio de Janeiro.
  Um dos principais motivos que ocasionaram a transferncia da capital foi a explorao de ouro na regio onde hoje fica o estado de Minas Gerais. Com a explorao do ouro, a atual regio Sudeste adquiriu grande importncia econmica.
  O Rio de Janeiro tornou-se a cidade mais importante da Colnia, pois no seu porto era feito o embarque do ouro para Portugal. Nesse porto se fazia, tambm, o desembarque de escravos e de produtos trazidos da Europa, como tecidos e ferramentas.
  Para exercer maior controle sobre o embarque do ouro e sobre o comrcio na Colnia, o rei de Portugal decidiu transferir a 
 capital brasileira de Salvador para o Rio de Janeiro.

<R+>
 Na sua opinio, quais transformaes ocorreram na cidade do Rio de Janeiro quando ela passou a ser a capital da Colnia?
<R->
 
<77>
<R+>
A corte portuguesa no Rio de Janeiro
<R->

  No ano de 1808, ocorreu um fato que causou grandes transformaes na vida dos moradores do Rio de Janeiro: a chegada da famlia real portuguesa. Isso ocorreu porque na Europa estava acontecendo uma guerra e para escapar das tropas francesas que invadiram Portugal, a famlia real fugiu para o Brasil.
  O *prncipe regente* Dom Joo veio para o Brasil com sua famlia e tambm trouxe a Corte portuguesa. Naquela poca, no havia na cidade moradias disponveis para acomodar os recm-chegados. Para resolver esse problema, Dom Joo tomou uma medida que causou grande espanto entre os moradores do Rio de Janeiro.

  Leia, no texto a seguir, o que aconteceu com os moradores da cidade.

  [...] Encontravam afixadas nas portas de suas casas tabuletas com uma simples e seca inscrio: "P.R.". Estas duas letras eram a abreviatura de "Prncipe Regente" e significavam que as pessoas deveriam deixar suas casas para que nelas os recm-chegados ou -- como era costume dizer, naquela poca -- "aposentados" pudessem ser abrigados. [...]
  Em meio a tantos transtornos, os antigos moradores da cidade ainda encontravam inspirao para ironizar a medida do governante absolutista. Comentavam entre si 
<P>
que "P.R." queria dizer "Ponha-se na rua"! [...]

<R+>
Ilmar Rohloff de Mattos e outros. *O Rio de Janeiro, capital do Reino*. So Paulo, Atual, 1995.
<R->

Trocando idias

<R+>
Converse com os colegas sobre as questes a seguir.
 a) A deciso de expulsar os moradores das suas casas para abrigar os membros da Corte portuguesa foi justa? Por qu?
 b) O que voc faria se vivesse naquela poca e tivesse de abandonar a sua casa para abrigar a Corte portuguesa?
<R->

<78>
  A chegada da Corte portuguesa causou muitos problemas para os antigos moradores do Rio de Janeiro, porm trouxe alguns benefcios para a cidade. Algumas obras de melhoria foram realizadas, como o alargamento e o calamento de ruas e a construo de *aquedutos* para melhorar o abastecimento de gua.
  Alm das obras de melhoria da cidade, o prncipe regente Dom Joo tomou vrias medidas com a finalidade de estimular as atividades econmicas no pas, como a abertura dos portos s naes amigas, isto , o Brasil passaria a comercializar com outras naes e no somente com Portugal como acontecia. Alm disso, ele anulou uma lei que proibia a instalao de indstrias no Brasil.
  Dom Joo adotou, tambm, medidas que tinham como objetivo incentivar a cultura no pas: construiu teatros, abriu escolas -- de msica, de artes e de medicina  -- e criou em 1808 a Imprensa Rgia, que passou a publicar a *Gazeta do Rio de Janeiro*, o primeiro jornal impresso no Brasil.
  Outra medida tomada por Dom Joo foi a criao da Biblioteca Real, que atualmente se chama Biblioteca Nacional.
  O prdio onde atualmente funciona a Fundao Biblioteca Nacional. Esse prdio foi construdo entre 1905 e 1910, para tornar-se a sede da antiga Biblioteca Real.
<79>
  A atual Escola de Belas Artes foi criada em 1816 por Dom Joo com o nome de Escola Real de Cincias, Artes e Ofcios.
  Dom Joo contratou um grupo de artistas franceses para trabalhar como professores nessa escola.
  Enquanto estiveram no Brasil, esses artistas produziram obras que representam fatos importantes da histria do Brasil e tambm costumes das cidades brasileiras do sculo XIX.
  Impressionado com a exuberncia da natureza do Rio de Janeiro, Dom Joo decidiu criar o Real Horto, em 1808, hoje chamado de Jardim Botnico.
  Apesar de provocarem muitas transformaes no Rio de Janeiro e no Brasil, as medidas adotadas por Dom Joo no tinham como objetivo alterar as condies de vida da parcela mais pobre da populao. De modo geral, essa camada da sociedade continuou vivendo nas mesmas condies difceis em que vivia antes.

<80>
Atividades

<R+>
1. Durante o perodo em que a famlia real esteve no Brasil, de 1808 a 1821, o Rio de Janeiro se tornou a cidade mais desenvolvida do Brasil. Essa cidade passou, ento, a crescer e a atrair pessoas de todas as partes do Brasil. Observe, no grfico a seguir, o crescimento da populao do Rio de Janeiro durante um perodo de, aproximadamente, 70 anos.
<R->
<P>
<R+>
Crescimento da populao da 
  cidade do Rio de Janeiro (1799 a 1870)
<R->

<F->
_`[Grfico adaptado_`]
  1799 -- 43.000 habitantes
  1821 -- 86.000 habitantes
  1849 -- 206.000 habitantes
  1870 -- 235.000 habitantes
<F+>

<R+>
Fonte de pesquisa: *Mary C. Karasch*. *A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808 -- 1850)*. So Paulo, Companhia das Letras, 2000.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) Qual  o perodo representado no grfico?
 b) Qual era a populao da cidade do Rio de Janeiro em 1799?
 c) Quantos habitantes havia na cidade no ano em que a famlia real retornou para Portugal?
 d) Qual foi o crescimento da populao de 1799 a 1821?   
<P>
 e) Reescreva a resposta que mostra o crescimento da populao do Rio de Janeiro durante o perodo de 1799 a 1821.
 O nmero de habitantes aumentou o dobro.
 O nmero de habitantes aumentou o triplo.
<R->

<81>
<R+>
As reformas urbanas 
  no Rio de Janeiro
<R->

  A cidade do Rio de Janeiro passou por um grande crescimento populacional ao longo do sculo XIX. Por volta de 1900, ela havia se tornado a cidade mais populosa do Brasil e, alm de ser a capital, era a principal cidade do pas.
  No entanto, a cidade ainda possua ruas estreitas e tortuosas, ocupadas por construes antigas e malconservadas, geralmente sem gua encanada e sem rede de es-
 goto.
<P>
  Devido s pssimas condies de higiene, o Rio de Janeiro era o foco de doenas, como a varola e a febre amarela, que causavam um grande nmero de mortes entre os moradores e as pessoas que visitavam a cidade.
  Em 1902, Rodrigues Alves, que era o presidente do Brasil, deu incio a uma srie de reformas na cidade do Rio de Janeiro. Essas reformas tinham como objetivo modernizar e sanear a cidade.

<R+>
_`[Uma foto, tirada em 1906, mostrando a Rua da Carioca com buracos, entulho e material para obras, por todos os lados_`]
 Legenda: As reformas foram comandadas pelo prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, que tinha autorizao para desocupar e demolir as antigas casas. 
<R->

<82>
  As reformas urbanas realizadas no Rio de Janeiro causaram grande transformao na paisagem da cidade.
  Observe, na descrio das fotografias a seguir, a rua Uruguaiana em duas pocas diferentes durante as reformas. A fotografia A retrata essa rua em 1905, e a fotografia B, no ano de 1906.

<R+>
_`[A -- Uma rua estreita com sobrados e algumas demolies;
 B -- Uma avenida com sobrados e algumas construes_`]
<R->

<R+>
 Identifique algumas mudanas que podem ser observadas nesse lugar, de um ano para outro. Escreva a resposta.
<R->

<83>
  As reformas urbanas trouxeram vrias melhorias para o Rio de Janeiro e contriburam para a reduo das epidemias que atingiam freqentemente a cidade. Porm essas reformas causaram problemas para grande parte da populao. Leia o texto a seguir.

  [...] era preciso destruir os stos, os *cortios*, as casas de cmodos onde viviam muitas pessoas... E estas nem sequer foram consultadas.
  Os moradores das casas que foram arrasadas chamaram tal interveno do governo de Bota-Abaixo. Ela destruiu tudo o que fora a cidade at aquele momento, no respeitou as casas e as fachadas coloniais, aboliu todo o trao cultural do passado, desrespeitando os lugares nos quais as pessoas pobres, trabalhadores, ex-escravos, [...] caixeiros, quitandeiras estavam acostumados a viver. [...]
  Com o Bota-Abaixo, todo o centro da cidade ficou elegante e os preos dos terrenos e dos aluguis dispararam. A populao pobre no tinha como pagar, e por isso, aps viver ali por tanto tempo, teve que rumar para os
<P>
*mangues*, para os morros, para bairros afastados e sem recursos [...].

<R+>
Iara Lis Schiavinatto Carvalho Souza. *A repblica do progresso*. So Paulo, Atual, 1994.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) De acordo com o texto, a opinio da populao sobre as reformas foi consultada?
 b) Qual foi o nome que os moradores deram s reformas da cidade realizadas pelo governo? Por que eles deram esse nome?
 c) Quais foram as conseqncias das reformas urbanas para a populao pobre? Comente com os colegas.
<R->

<84>
  Os lugares onde a populao pobre do Rio de Janeiro passou a viver eram bastante precrios. Em muitos deles, no havia servios pblicos como energia eltrica, rede de esgoto, gua encanada e pavimentao das ruas.
  Alm disso, como haviam perdido tudo o que tinham, as pessoas tiveram de construir as suas moradias com chapas de metal e outros materiais que encontravam, entre eles, as prprias madeiras da demolio que a prefeitura autorizava a recolher.
  Observe como eram algumas dessas moradias na descrio da fotografia abaixo.

<R+>
_`[A subida de um morro com moradias improvisadas com pedaos de madeira e chapas de metal_`]
 Legenda: Habitaes no morro do Pinto, localizado na cidade do Rio de Janeiro, em 1912.
<R->

Algo a mais

  O deslocamento de pessoas do centro da cidade para as reas mais afastadas contribuiu para o crescimento das favelas que j existiam na cidade.
  Alm disso, na poca das reformas, houve tambm casos em que as pessoas passaram a construir barracos nas encostas dos morros que ficavam prximos ao centro dando origem a novas favelas.

<85>
A atual capital do Brasil

  A cidade do Rio de Janeiro permaneceu como capital do Brasil at 1960. Nesse ano, a capital do pas foi transferida para Braslia.
  A idia de transferir a capital para o interior do territrio era muito antiga, e j havia sido includa na Constituio Federal de 1891. No entanto, ela s foi levada adiante no governo do presidente da Repblica Juscelino Kubitschek, que, em 1956, deu incio  construo da cidade de Braslia.
<P>
<R+>
 Uma esttua do presidente Juscelino Kubitschek se encontra em frente ao Memorial JK, construdo na cidade de Braslia, Distrito Federal.
<R->

  Leia o texto a seguir e conhea os principais motivos da transferncia da capital para o interior do territrio.

  [...] O projeto tinha justificativas objetivas: a construo da nova capital numa regio pouco povoada levaria o desenvolvimento ao interior; as novas estradas ampliariam as fronteiras agrcolas; a prpria construo da cidade iria gerar oportunidades de emprego. [...]
  Por fim, a construo da capital seria um smbolo poderoso. Juscelino queria que seu Brasil 
<P>
novo possibilitasse aos brasileiros recuperar a confiana em si mesmos. [...]

<R+>
Jorge Caldeira. *Viagem pela Histria do Brasil*.
  So Paulo, Companhia das Letras, 1997.
<R->

<R+>
 Quais foram as justificativas para a construo de Braslia para ser a nova capital do Brasil? Escreva a resposta.
<R->

<86>
  Alm desses motivos, Braslia tambm apresentava uma localizao que favorecia a integrao de todo o territrio brasileiro, de norte a sul e de leste a oeste.
  Observe, a seguir, a localizao de Braslia e as distncias, em quilmetros, entre ela e as capitais dos estados brasileiros.
<P>
<R+>
Distncias entre Braslia e as capitais estaduais

_`[Mapa mostrando a localizao de Braslia, no Planalto Central e as distncias entre a capital do Brasil e as capitais estaduais:
 Goinia (GO) -- 125
 Palmas (TO) -- 700
 Belo Horizonte (MG) -- 725
 Campo Grande (MS) -- 850
 So Paulo (SP) -- 890
 Cuiab (MT) -- 925
 Rio de Janeiro (RJ) -- 940
 Vitria (ES) -- 955
 Salvador (BA) -- 1030
 Curitiba (PR) -- 1110
 Florianpolis (SC) -- 1260
 Teresina (PI) -- 1260
 Aracaju (SE) -- 1270
 Macei (AL) -- 1455
 So Luiz (MA) -- 1495
 Belm (PA) -- 1575
 Recife (PE) -- 1620
 Porto Alegre (RS) -- 1650
 Fortaleza (CE) -- 1660
 Joo Pessoa (PB) -- 1685
 Natal (RN) -- 1750
 Macap (AP) -- 1770
 Porto Velho (RO) -- 1920
 Manaus (AM) -- 1940
 Rio Branco (AC) -- 2260
 Boa Vista (RR) -- 2490_`]
<R->

<R+>
Fonte de pesquisa: Instituto Brasileiro de Geografia e 
  Estatstica (IBGE).
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) Em que estado do Brasil voc mora?
 b) Qual a distncia entre a capital do estado onde voc mora e Braslia? 
 c) Qual  a capital que fica localizada mais prxima de Braslia? De que estado ela  capital?
 d) Qual  a capital que fica localizada mais distante de Braslia? De que estado ela  capital?
<R->

<87>
  Braslia foi uma cidade totalmente planejada. O responsvel pela elaborao do seu projeto foi o arquiteto Lcio Costa. Outro importante arquiteto, Oscar 
 Niemeyer, foi o responsvel pelo projeto dos principais edifcios da cidade, como o Congresso Nacional, o Palcio da Alvorada e os prdios residenciais.
  Observe abaixo a descrio da planta da cidade de Braslia.
 
<R+>
_`[Desenho mostrando a cidade com o formato de uma aeronave e a localizao de alguns lugares identificados na legenda transcrita a seguir_`]
 1) Aeroporto Internacional
 2) Asa Norte
 3) Asa Sul
 4) Catedral
 5) Esplanada dos Ministrios
 6) Estao Ferroviria
 7) Estdio
 8) Jardim Zoolgico
 9) Palcio da Alvorada
 10) Praa dos Trs Poderes
 11) Residncia dos Ministros 
 12) Rodoviria
 13) Setor Habitacional Norte
 14) Setor Habitacional Sul
 15) Setor Industrial
 16) Superquadras
 17) Universidade
<R->

<R+>
Fonte de pesquisa: Regina 
  Vasconcellos e Ailton Pinto 
  Alves Filho. *Atlas geogrfico ilustrado e comentado*. So Paulo, FTD, 1999.
<R->

<R+>
 a) A planta de Braslia tem o formato semelhante ao de um meio de transporte. Destaque qual  esse meio de transporte e anote a resposta.
  Automvel -- Navio -- Avio
 b) Forme uma dupla com um dos seus colegas de turma. Depois, 
  identifique na planta alguns dos lugares indicados na legenda.
<R->

<88>
<P>
  A construo de Braslia durou aproximadamente trs anos e meio e atraiu cerca de 30 mil trabalhadores vindos de diversas partes do pas. Grande parte desses trabalhadores vieram, principalmente, do Nordeste e passaram a ser chamados de candangos.
  Aps o trmino da construo da cidade, a maioria desses trabalhadores decidiu permanecer na regio. Como o setor residencial de Braslia era uma rea destinada principalmente aos funcionrios do governo e aos polticos, os candangos passaram a se estabelecer nas reas prximas  cidade de Braslia. Nesses lugares foram formadas cidades que ficaram conhecidas como *cidades-satlites*, entre elas Ncleo Bandeirante, Ceilndia, Taguatinga e Candangolndia.
<P>
<R+>
_`[Foto de uma escultura representando dois homens de p, no meio de um terreno gramado_`]
 Legenda: Monumento aos Candangos feito em 1960 pelo artista Bruno Giorgi para homenagear os trabalhadores que ajudaram a construir Braslia.
<R->

Algo a mais

  Alm das cidades-satlites que se desenvolveram com a fixao dos candangos, foram formadas outras cidades-satlites ao redor de Braslia.
  Em algumas delas ficam localizadas as moradias de empresrios, funcionrios do governo, jornalistas, entre outros. Esse  o caso, por exemplo, de Lago Norte.

<89>
Na linha do tempo

  Na linha do tempo apresentada a seguir esto registrados os nomes da atual capital brasileira e os nomes das capitais anteriores e, os anos em que elas se tornaram capitais. Observe-a.
 
<R+>
<F->
_`[Linha do tempo adaptada_`]
Sculo XVI -- de 1501 a 1600
  Salvador -- 1549
Sculo XVII -- de 1601 a 1700
Sculo XVIII -- de 1701 a 1800
  Rio de Janeiro -- 1763
Sculo XIX -- de 1801 a 1900
Sculo XX -- de 1901 a 2000
  Braslia -- 1960 
Sculo XXI -- de 2001 a 2100
<F+>
<R->

<R+>
 Agora, responda s seguintes questes.
 a) Durante quantos anos Salvador permaneceu como capital do Brasil?
 b) Durante quantos anos o Rio de Janeiro permaneceu como capital do Brasil?
<P>
 c) Quando foi a atividade econmica que ocasionou a transferncia da capital de Salvador para o Rio de Janeiro? Em qual sculo essa atividade ocorreu com maior intensidade?
 d) Quando Salvador foi fundada, quem governava o territrio que hoje corresponde ao Brasil?
 e) Quem determinou a transferncia da capital de Salvador para o Rio de Janeiro?
 f) Quando Braslia foi fundada, quem governava o Brasil?
<R->

               oooooooooooo

<90>
<P>
Captulo 5

 Vivendo nas cidades

  As pessoas que vivem nas cidades realizam diferentes atividades no seu dia-a-dia.
  Observe as fotografias a seguir.

<R+>
 _`[A -- Um homem, no alto de uma escada de madeira, mexe nos fios de energia eltrica;
 B -- Duas mulheres: a vendedora e a freguesa, junto a uma barraca de flores;
<91>
 C -- Duas crianas num escorrega;
 D -- Algumas pessoas sentadas numa lanchonete, ao ar livre_`] 
<R->

<R+>
 a) Quais so as atividades que esto sendo realizadas pelas pessoas em cada uma das fotografias? Escreva as respostas.
<P>
 b) Na sua opinio, atividades como essas fazem parte do dia-a-
  -dia da maioria dos moradores das cidades? Comente com os 
  colegas.
<R->

<92>
<R+>
A vida nas primeiras vilas e 
  cidades brasileiras
<R->

  No incio deste captulo, vimos alguns aspectos do modo de vida das pessoas que vivem nas cidades na atualidade. Mas como era o cotidiano das pessoas que viviam nas vilas e cidades brasileiras de outras pocas?
  Observe a seguir, alguns aspec-
 tos do cotidiano em uma vila formada pelos portugueses no territrio brasileiro, durante os sculos XVI e XVII.

  As primeiras vilas e cidades brasileiras, em sua maioria, localizavam-se no litoral do territrio. Elas possuam lugares onde eram feitos o embarque e o desembarque de pessoas e mercadorias.
  As casas, geralmente, eram feitas de barro e cobertas com telhado de palha. Somente as casas das pessoas mais ricas eram cobertas com telhas. Na maioria das casas havia quintais onde os moradores cultivavam frutas e verduras e criavam animais, como cabras e galinhas.
<93>
  Na maioria das vilas havia um forte, que se destinava  defesa dos moradores contra os ataques de indgenas e, tambm, de corsrios.
  No centro da vila, geralmente era construda uma igreja, que era freqentada pelos moradores nos dias em que havia missas, batizados e casamentos.
  Os dejetos domsticos costumavam ser lanados em poos chamados "fossas negras", que ficavam localizados nos quintais das moradias. Os dejetos tambm podiam ser recolhidos em barricas e lanados no rio ou no mar, geralmente, por escravos.
  A gua para o uso da populao era retirada do rio ou de poos. Algumas vilas tinham fontes, que eram abastecidas por gua canalizada de riachos prximos.
  As vilas geralmente eram formadas prximas aos rios. Os moradores utilizavam os rios como vias de transporte entre a vila e os engenhos que ficavam localizados nas suas margens.

<R+>
 Existem aspectos do modo de vida da populao das vilas e cidades brasileiras dos sculos XVI e XVII que se mantm at os dias de hoje. Identifique alguns desses aspectos e comente com os colegas.
<R->

<94>
  Nas casas das vilas e cidades dos sculos XVI e XVII, geralmente havia vrios utenslios domsticos para atender s necessidades dos seus moradores.
  Conhea alguns desses utenslios domsticos.

Candeeiro

  O candeeiro  um aparelho destinado  iluminao, composto de um recipiente que, geralmente, contm leo e uma mecha de algodo  qual se ateia fogo. Esse utenslio era utilizado na maioria das casas para ilumin-las aps o pr-do-sol.

Fogo a lenha

  Os alimentos geralmente eram preparados em foges a lenha. Esse utenslio podia ser encontrado na maioria das moradias das vilas e cidades brasileiras.

Rede

  A utilizao de redes para repousar e para dormir  um costume adquirido com os povos indgenas. Os colonizadores portugueses adotaram esse costume indgena na maioria das casas em que no havia camas.
<P>
Vasilha de cermica

  Recipientes usados nas mais diversas atividades domsticas. As vasilhas de cermica feitas pelos indgenas eram muito utilizadas pelos colonizadores portugueses e estiveram presente em um grande nmero de casas, desde as mais pobres at as mais ricas.
 
<R+>
 Voc j viu ou usou algum dos utenslios domsticos apresentados acima? Qual? Escreva a resposta.
<R->

<95>
<R+>
A vida nas vilas e cidades 
  mineiras no sculo XVIII
<R->

  Durante o sculo XVIII, com a descoberta do ouro, a populao da regio das minas cresceu muito. A maioria das pessoas que se deslocou para essa regio passou a viver nas vilas e cidades.
  As moradias das vilas e cidades mineiras eram quase sempre muito simples e rsticas, feitas de barro com a tcnica de pau-a-pique. Algumas eram, ainda, construdas com pedras.
  Grande parte da populao da regio das minas vivia de maneira precria. A maioria dos produtos utilizados no dia-a-dia, como sal, conservas, tecidos e instrumentos para a minerao, eram trazidos de outras regies do territrio. Devido a isso, os produtos tornavam-se muito caros, e muitas pessoas no podiam compr-los.

<R+>
 _`[Um quadro mostrando homens e cavalos, numa estrada de terra no meio da mata_`]
 Legenda: Pintura feita pelo artista *Johann Steinmann*, em 1834. Ela representa tropeiros transportando produtos em direo  regio das minas.
<R->

<96> 
  Nas vilas e cidades mineiras viviam os proprietrios das minas, os funcionrios do governo portugus, e outras pessoas que realizavam diversas atividades profissionais, como artesos, alfaiates, ferreiros, mdicos, advogados, entre outras. Alm dessas pessoas, havia os escravos de origem africana, que constituam cerca de metade da populao.
  Os escravos eram responsveis pela maior parte dos trabalhos nas vilas e cidades mineiras. Alm dos escravos que trabalhavam nas minas, havia outros que exerciam atividades de artesos e de vendedores ambulantes. Havia tambm escravos que realizavam servios domsticos.
  Outra atividade comum em que era utilizada a mo-de-obra escrava era o transporte de pessoas em uma espcie de cadeirinha coberta, que se chamava *liteira*.
  Nas vilas e cidades mineiras era comum ver escravos nas ruas vendendo produtos ou prestando pequenos servios. Grande parte do dinheiro que os escravos recebiam por essas tarefas era entregue aos seus senhores.
<97>
  Nem todas as pessoas que habitavam as vilas e cidades mineiras enfrentavam dificuldades. Nessa regio, havia pessoas ricas que viviam de maneira bem diferente da maioria da populao.
  Leia o texto a seguir e conhea um pouco do cotidiano dessas pessoas.

  [...] A dieta dos ricos inclua uma variedade de carnes, peixes, frios, farinha de trigo, doces, bolachas, queijos e manteiga. Suas roupas, s vezes, eram bordadas com fios de ouro, e sempre que precisavam sair de casa usavam peruca, chapu, sapatos importados e jias. As mulheres costumavam passear pelas ladeiras das Minas carregadas por escravos em redes ou liteiras. [...]

<R+>
Alfredo Boulos Jnior. *A Capitania do ouro e sua gente*. So Paulo, FTD, 2000.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) Como era a vestimenta das pessoas ricas da regio das minas?
 b) Os alimentos consumidos pelas pessoas ricas faziam parte da alimentao da maioria da populao? Por qu?
 c) A minerao atraiu muitas pessoas para a regio das minas, que se deslocaram para l na esperana de enriquecer. De acordo com o que voc viu, foi isso o que aconteceu com a maioria das pessoas que para l se dirigiram?
<R->

Algo a mais

  Poucas pessoas conseguiram enriquecer na regio mineira. As pessoas que conseguiram fazer fortuna foram, por exemplo, os grandes comerciantes, os donos de fazendas que forneciam alimentos para a populao mineira e os tropeiros, que vendiam alimentos, ferramentas e animais na regio.
  Entre os donos de minas foram poucos os que enriqueceram. Parte do que eles ganhavam era destinada ao pagamento de impostos  Coroa portuguesa, e uma outra parte era empregada, por exemplo, na compra de ferramentas para a minerao, escravos e alimentos.

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<R+>
O dia-a-dia no Rio de Janeiro no sculo XIX
<R->

  No incio do sculo XIX, quando a famlia real chegou ao Brasil, um dos aspectos que mais se destacavam no cotidiano do Rio de Janeiro era a grande participao dos africanos e dos seus descendentes nas atividades do dia-a-dia.
  Naquela poca, quase a metade da populao do Rio de Janeiro era composta de escravos. Alm de executarem tarefas domsticas nas casas dos seus senhores, eles realizavam os mais diversos tipos de trabalho pelas ruas da cidade, como carregar mercadorias e pessoas, buscar gua nos *chafarizes* e trabalhar como vendedores ambulantes.

<99>
<R+>
 Observe a descrio da imagem. Relacione as informaes abaixo aos elementos destacados por letras na imagem, escrevendo o nmero e as letras correspondentes. Veja o exemplo: 1 -- C.
<R->

<R+>
 1. Escravos carregando liteira
 2. Escravos puxando carrinho com uma pipa
 3. Escravo conduzindo carro-de-boi
 4. Escravo carregando vasilha de gua na cabea
 5. Escravos vendendo mercadorias
 6. Chafariz
 7. Igreja
 8. Soldado
 9. Lampio
 10. *Coche*

_`[Desenho de uma praa, destacando os elementos relacionados a seguir.
 a) um lampio;
 b) um chafariz;
 c) escravos que carregam uma 
  liteira;
 d) escravos que puxam um carrinho com uma pipa;
 e) um escravo que carrega gua;
 f) um soldado e um escravo;
 g) um grupo de escravos com suas mercadorias;
 h) um escravo num carro-de-bois;
 i) um coche;
 j) uma igreja, na parte alta da praa_`]
<R->

<100>
Algo a mais

  Muitas cenas do cotidiano dos moradores do Rio de Janeiro, no sculo XIX, foram representadas pelo pintor francs Jean-
 -Baptiste Debret.
  Debret esteve no Brasil entre os anos de 1816 e 1831, e veio para c integrando um grupo de artistas franceses.
  As pinturas desse artista so consideradas, hoje em dia, uma importante fonte de informaes histricas sobre o Brasil do incio do sculo XIX.
  Observe a descrio de uma pintura produzida por Debret. Em seguida, leia o texto em que ele prprio descreve essa pintura.

<R+>
_`[Um escravo, bem vestido, oferece flores a uma senhora com uma criana_`]
<R->
  
  Assim representei o criado de uma casa rica, parado diante da porta de uma igreja, no domingo, para vender flores em benefcio do seu dono, enquanto acrescenta, por conta prpria, a venda [...] de pedaos de coco, petisco econmico da classe mdia. Pode-se observar tambm o cuidado do vendedor em conservar o frescor dos cravos, espetando-os num talo de bana-
<P>
neira, que ao mesmo tempo lhe 
 serve para oferec-los.

<R+>
*Jean-Baptiste Debret*. In: Luiz Felipe de Alencastro e outros. *Rio de Janeiro, cidade mestia*: nascimento da imagem de uma nao. So Paulo, Companhia das Letras, 2001.
<R->
 
<R+>
 Compare a descrio de Debret com a pintura e depois verifique quais informaes podem ser obtidas no texto e que no podem ser observadas na imagem. Converse com os colegas.
<R->

<101>
<R+>
Mudanas nas cidades brasileiras no sculo XX
<R->

  Automveis circulando pelas ruas, edifcios com vrios andares, energia eltrica, cinema, rdio e televiso so elementos que esto presentes na maioria das cidades nos dias de hoje.
<P>
  No entanto, grande parte dessas inovaes somente chegou ao Brasil entre o final do sculo XIX e o incio do sculo XX.  
  Veja, no texto a seguir, algumas inovaes surgidas nessa poca.

  [...] De repente, aps *milnios* de civilizao, o homem tinha em seu poder engenhos inacreditveis: um carro que anda sem precisar ser puxado por cavalos, um fio que instantaneamente transmite mensagens de um continente a outro, uma lmpada sem gs nem pavio, um aparelho para conversar com pessoas a longa distncia, outro para tirar retratos perfeitos como um espelho, uma curiosa maquininha capaz de gravar e reproduzir todos os sons deste mundo, uma tela mgica onde so projetadas imagens de pessoas, bichos e coisas movendo-se animadamente, igualzinho  vida real... E para coroar esse festival de deslumbramento, vira realidade o mais caro sonho do ser humano: voar!
  O sculo XX traz uma surpresa atrs da outra, revelando a cada vez um novo talento humano. [...]

<R+>
*Nosso Sculo*: 1900-1910. So Paulo, Abril Cultural, 1980.
<R->

<102>
<R+>
 Relacione cada um dos trechos do texto ao invento, escrevendo o nmero e a letra correspondentes.
 1) Carro que anda sem precisar ser puxado por cavalos
 2) Fio que instantaneamente transmite mensagens de um continente a outro
 3) Lmpada sem gs nem pavio
 4) Aparelho para conversar com pessoas a longa distncia
 5) Aparelho para tirar retratos perfeitos como um espelho
<P>
 6) Maquininha capaz de gravar e reproduzir todos os sons deste mundo
 7) Tela mgica onde so projetadas imagens de pessoas, bichos e coisas movendo-se animadamente, igualzinho  vida real
 a) Telgrafo
 b) Telefone
 c) Automvel
 d) Gravador
 e) Lmpada Eltrica
 f) Cinema
 g) Mquina Fotogrfica
<R->

<103>
  No incio do sculo XX, algumas cidades brasileiras estavam crescendo bastante. A formao de grandes cidades e o surgimento de novos recursos tecnolgicos provocaram muitas mudanas no modo de vida das pessoas.
  Naquela poca, por exemplo, comearam a ser construdos edifcios de vrios andares. Alguns desses edifcios possuam elevadores que transportavam pessoas de um andar para o outro.
  O aparecimento dos elevadores despertou a curiosidade das pessoas. Elas iam at os prdios e formavam imensas filas somente para subir e descer dois ou trs andares.
  O automvel tambm era um luxo que poucas pessoas podiam ter at aquela poca. A maioria da populao assistia com admirao e desconfiana o desfile dos automveis, que atingiam a velocidade "espantosa" de 20 quilmetros por hora.

<R+>
_`[{foto antiga de um grupo de pessoas curiosas, observando um automvel, estacionado na rua_`]
<R->

  Essa fotografia retrata um automvel que circulava pela cidade de So Paulo, em 1908.

<R+>
 Junte-se com um colega e, comparem o automvel da fotografia com os que so utilizados na atualidade. Citem algumas semelhanas que vocs podem identificar entre eles. Citem tambm algumas diferenas.
<R->

<104>
  Com o surgimento da eletricidade, no final do sculo XIX, foram criados os bondes eltricos, que substituram os bondes que at ento eram puxados por burros.
  Logo que os bondes eltricos surgiram, as pessoas no entendiam como eles se locomoviam. Muitos acreditavam que se pusessem os ps nos trilhos, ficariam grudados e seriam atropelados pelo bonde.
  O cinema foi trazido ao Brasil em 1896, e logo passou a atrair multides nas grandes cidades. A quantidade de pessoas interessadas em assistir aos filmes era to grande que, muitas vezes, a polcia era chamada para organizar a entrada.
  Os filmes exibidos eram, na sua maioria, norte-americanos. Esses filmes passaram a ter uma grande influncia sobre o comportamento da maioria das pessoas, que tentavam imitar, no dia-a-dia, tudo o que viam nas telas.

<R+>
 Converse com os colegas sobre algumas transformaes que essas inovaes podem ter provocado no dia-a-dia das pessoas.
<R->

<105>
Trocando idias

  Nos dias de hoje, ainda surgem muitas inovaes que so capazes de mudar o cotidiano das pessoas.

<R+>
 Converse com os colegas sobre algumas inovaes que, atualmente, provocam transformaes no dia-a-dia das pessoas.
<R->

Pesquisando

  Voc conheceu algumas inovaes que chegaram ao Brasil no incio do sculo XX e as mudanas que elas provocaram na vida das pessoas.
<P>
  Pesquise outras invenes que surgiram no decorrer do sculo XX e que provocaram mudanas no cotidiano.
  Veja algumas informaes que voc pode pesquisar:
<R+>
 -- nome da inveno;
 -- data do surgimento;
 -- nome do inventor;
 -- mudanas que a inveno provocou no dia-a-dia das pessoas;
 -- pontos positivos dessa in-
  veno;
 -- pontos negativos dessa in-
  veno.
<R->
  Traga as informaes para a sala de aula e, com a ajuda do professor, elabore um cartaz.

               oooooooooooo

<106>
<P>
Glossrio

<R+>
-- A
 Aqueduto: Construo ao ar livre ou subterrnea utilizada antigamente para servir de suporte para um canal de transporte de gua. A gua era captada, por exemplo, de rios ou lagos e levada para um outro lugar em que existia em menor quantidade, como as vilas e cidades. 
 Atividade econmica: Atividade que produz riqueza ou que implica a compra ou a venda de algum produto. Alguns exemplos de atividades econmicas so: a agricultura, a pecuria, a indstria, o comrcio e a prestao de servios.
<R->
 
<R+>
-- B
 Bandeirante: Pessoa que fazia parte das Bandeiras, expedies realizadas pelo interior do territrio que hoje corresponde ao Brasil, entre os sculos XVI e XVIII. Os principais objetivos dessas expedies era a procura de minerais preciosos e o aprisionamento de indgenas para serem escravizados.

-- C
 Chafariz: Fonte com uma ou mais bicas por onde jorra gua que serve para uso da populao ou como bebedouro de animais. Em muitas cidades brasileiras, o chafariz era um dos principais meios utilizados pela populao para obter gua quando ainda no havia servio de gua encanada. A gua era captada de pequenos regatos e levada por canos ou por aquedutos at os chafarizes.
<107>
 Cidade-satlite: Cidade que fica localizada prxima a uma grande cidade e dela depende em diferentes aspectos, entre eles, o econmico.
 Coche: Espcie de carruagem fechada utilizada para o transporte de pessoas. Esse meio de transporte era puxado por animais, como cavalos ou 
  burros.
 Colnia: Termo utilizado para fazer referncia a um territrio dominado e ocupado por uma outra nao ou pas. O territrio conquistador  chamado de Metrpole e o dominado, de Colnia.
 Constituio Federal: Documento que contm as leis mais importantes que regem um pas ou nao. Por meio dessas leis so definidos, por exemplo, quais so os direitos e os deveres dos cidados e quais so as atribuies dos governantes.
 Cortio: Moradia composta de diversos cmodos utilizada como habitao coletiva por vrias famlias de baixa renda. Nessas habitaes, as condies de vida so pssimas. Os moradores tm de dividir um nico banheiro e uma cozinha, e os quartos so pequenos e malventilados. Esse tipo de habitao se tornou bastante comum no Rio de Janeiro, principalmente a partir de meados do sculo XIX.

-- D
 Dcada: Perodo de tempo que compreende 10 anos. Por exemplo, a dcada de 1910 teve incio em 1911 e terminou em 1920; a dcada de 1920 iniciou-se em 1921 e foi at 1930, e assim por diante.
 Degredado: Pessoa que  condenada a deixar o seu lugar de origem e obrigada a viver em outro local por ter cometido algum crime grave.

-- E
 Escravo: Pessoa que  obrigada a trabalhar sem receber remunerao e sem ter os seus direitos humanos respeitados.
<108>
  A escravido de pessoas foi implantada no Brasil pelos portugueses logo aps o incio da colonizao do territrio, em 1532. Por volta de 1550, eles comearam a trazer pessoas da frica para o Brasil para trabalharem principalmente na produo de acar. Os escravos de origem africana foram utilizados em diferentes tipos de trabalho, por cerca de 350 anos. Em 1888, a escravido foi abolida no pas e, a partir dessa poca, toda forma de trabalho escravo passou a ser proibida por lei. Apesar disso, ainda hoje, geralmente na zona rural, ocorrem casos de pessoas que so obrigadas a viver em situao de escravido. Essas pessoas so iludidas com falsas promessas de trabalho e bons salrios. Porm, ao chegar ao local de trabalho, so foradas a realizar atividades em pssimas condies e sem receber remunerao.

-- F
 Fortaleza: Construo equipada com instrumentos de defesa, como armas e canhes, erguida com a 
<P>
  finalidade de proteger um lugar ou uma cidade de ataques inimigos.

-- I
 Infra-estrutura: Conjunto de instalaes necessrio ao bem-estar das pessoas e que lhes garanta boa qualidade de vida, como rede de esgoto e de abastecimento de gua, energia eltrica, pavimentao das ruas, transporte coletivo, entre outros.

-- L
 Liteira: Espcie de cadeirinha utilizada como meio de transporte de pessoas. A liteira era coberta e sustentada por duas longas varas que eram conduzidas por duas pessoas ou por animais.

<109>
<P>
-- M
 Mangue: rea de terra situada prxima ao litoral, regularmente inundada pelas mars. No mangue, o solo  formado por uma lama escura e mole e a vegetao  constituda de rvores e arbustos com razes compridas e arqueadas, que ficam visveis quando a mar est baixa.
 Migrante: Pessoa que se desloca de um lugar para viver em outro. Uma pessoa pode migrar dentro do seu prprio pas, isto , ela pode mudar de uma cidade para outra ou de um estado para outro. 
  Neste caso, diz-se que a migrao  interna. Se uma pessoa migrar de um pas para outro, diz-se que se trata de uma migrao externa ou estrangeira.
 Milnio: Medida de tempo que corresponde a um perodo de 1000 anos. Se um determinado fato aconteceu do ano 1 ao ano 1000 aps o nascimento de Cristo, diz-se que ele pertence ao 1 milnio, se um fato ocorreu do ano 1001 ao 2000, diz-se que ele aconteceu no 2 milnio, e assim por diante.
 Municpio: Unidade poltica e administrativa de um estado, governada pelo prefeito e pelos vereadores. 

-- P
 Pau-a-pique: Tcnica de construo de paredes que utiliza varas tranadas ou pedaos de madeira, rebocadas com barro. A fotografia a seguir retrata uma moradia de pau-a-pique.
 Pedra-sabo: Tipo de mineral bastante utilizado na produo de obras de arte, como esculturas, e tambm na confeco de objetos domsticos e de decorao.
<110>
 Prncipe regente: Pessoa que administra ou governa um reino ou um pas provisoriamente, durante ausncia ou impedimento do rei ou da rainha. O prncipe regente Dom Joo passou a governar Portugal e o Brasil porque sua me, a rainha Dona Maria I, estava doente.

-- S
 Salrio: Remunerao paga ao trabalhador em troca do trabalho prestado. Em geral, os salrios so pagos mensalmente at o 5 dia til do ms.
 Salrio mnimo: Remunerao mnima, fixada por lei, que o trabalhador deve receber pelo servio prestado. O salrio mnimo foi criado no Brasil em 1934 com a funo de satisfazer s necessidades bsicas do trabalhador e de sua famlia, como alimentao, moradia, educao, sade e lazer. Porm muitas famlias, que se mantm apenas com um salrio mnimo, acabam vivendo em situao bastante precria, pois o dinheiro que recebem no  suficiente para as suas necessidades bsicas.
<P>
 Sculo: Medida de tempo que corresponde a um perodo de 100 anos. No calendrio que utilizamos, a contagem do tempo tem incio no ano 1, que, segundo a tradio crist, se refere ao ano de nascimento de Jesus Cristo. Assim, se um fato aconteceu do ano 1 ao ano 100 aps o nascimento de Cristo diz-se que ele pertence ao sculo 1, se o fato ocorreu do ano 101 ao ano 200 ele pertence ao sculo 2, e assim por diante.

-- T
 Trfico de escravos: Comrcio de pessoas para serem utilizadas como mo-de-obra em diferentes tipos de atividade, sem receber remunerao alguma em troca do trabalho e sem liberdade.
<R->
             
               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra